segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Resposta ao Jornal ''Folha de São Paulo'' sobre o artigo de 08/12/2011 'Jovens trocam Brasil pela Rússia a fim de estudar medicina
Resposta ao Jornal ''Folha de São Paulo'' sobre o artigo de 08/12/2011 'Jovens trocam Brasil pela Rússia a fim de estudar medicina
por Thales Bandeira, domingo, 11 de Dezembro de 2011 às 19:29Caros editores e jornalistas, em especial, Fabiano Miasonnavi,
Desde meus doze anos de idade leio a ''Folha'' e sempre gostei muito deste jornal. Contudo, gostaria de expressar meu profundo desapontamento com essa matéria (08/12/2011 Jovens trocam Brasil pela Rússia a fim de estudar medicina) , que além de mal embasada, é também de mal gosto.
Chamo-me Thales Caue Cesar Augusto Bandeira, tenho 22 anos e sou estudante do segundo ano de medicina da Universidade Estadual Médica de Kursk e faço parte da organização acadêmica dos brasileiros em Kursk, do círculo científico de fisiologia e do círculo científico de cultura russa da universidade (UMEK ou KSMU -Kursk State Medical University).
Para começar, acho um tanto arrogante o vosso texto iniciar com uma tese afirmando que ''O fim da União Soviética alterou radicalmente o perfil dos estudantes brasileiros na Rússia. De militantes comunistas com bolsas estatais, passou para jovens de classe média atraídos pelos baixos valores dos cursos de medicina ministrados em inglês.'' Primeiro porque creio que nem metade do corpo que compõe vosso jornal sabe metade do que realmente foi o comunismo e as alterações reais que ocorreram no país pré e pós comunismo. Segundo, os tais ''militantes comunistas'' que vocês colocam de certa forma aparentemente pejorativa, foram os primeiros doutores e mestres em nosso país nas faculdades federais e estaduais que possibilitaram um grande desenvolvimento na nossa educação, a qual está se perdendo cada vez mais devido à corrupção de nossos governantes que preferem aumentar os próprios ganhos salariais. Terceiro – ‘’[...] jovens de classe média atraídos pelos baixos valores dos cursos de medicina[...]’’? Creio que vós excluís o fato de que boa parte dos jovens que estão aqui vieram pelo fato de buscarem uma educação de qualidade; ou eu que estou excluindo o fato de que vossa prepotência e ignorância histórica e de fatos concretos vai além dos limites aceitáveis.
Mais um equívoco, em vosso texto (para não dizer absurdo): ‘’São, em geral, universidades estatais que hoje dependem da mensalidade de estudantes estrangeiros para se sustentar.’’ Em primeiro lugar, se ela é estadual, ela depende do governo ou do Estado para se sustentar. Daí que vem o termo governamental ou estadual. Segundo, o sistema de universidades russas hoje abre as portas para estudantes pagantes russos, que desejem cursar a faculdade. Contudo, se eles falharem, eles são expulsos do curso e devem ou repetir o ano ou se afastar da universidade. Aos estudantes russos bolsistas, caso falhem, são expulsos da universidade e, caso queiram continuar, devem pagá-la sujeitos as mesmas regras dos russos pagantes. Quanto aos estrangeiros que estudam em inglês, pagam a anualidade para a companhia ‘’transrussia’’, a qual é uma companhia internacional que cuida do ingresso de alunos estrangeiros em algumas faculdades russas. Portanto, as faculdades russas não estão decadentes e não dependem do dinheiro de alunos estrangeiros para se sustentar.
Outro pequeno deslize de vossa soberba; o goiano Luiz Fernando da Silva não chegou a terminar o primeiro semestre e não chegou a morar aqui nem três meses. Quanto ao alojamento, comparado com os alojamentos que temos em nossas universidades brasileiras, é de um nível estrutural e de segurança muito mais alto. E eu realmente gostaria de saber o que seriam esses ‘’problemas estruturais básicos’’, pois o que parece é que até agora vossa matéria que apresenta ‘‘problemas estruturais básicos’’ – Falta de embasamento e falta de conhecimento; o que, penso eu, que para um jornal sério, lê-se como um problema um tanto grave. E, último deslize – ‘’[...] que há casos de corrupção envolvendo professores. "Às vezes, eles mesmos dizem seu preço." Vós tendes alguma prova para publicarem uma notícia deste tipo? Acusar professores e diminuir seu valor ultimamente, na nossa mídia, parece ser algo que virou corriqueiro, infelizmente. Acho que por isso foi autorizado por nossos políticos que qualquer um não instruído pode escrever uma manchete.
Espero que estas informações sejam levadas em consideração. Desculpo-me pelo excesso de minha resposta, mas a vossa manchete soa muito mais como uma opinião individual exposta em um jornal de abrangência internacional do que uma matéria informativa. E, se aqui é a maior comunidade de brasileiros da Rússia, porque foram entrevistados apenas três brasileiros, dentre os quais um não chegou a terminar nem o primeiro semestre do primeiro ano?
Agradeço pela atenção e disposição,
Só não agradeço pela falta de consideração com estudantes e professores,
Atenciosamente,
Thales Caue Cesar Augusto Bandeira.
Desde meus doze anos de idade leio a ''Folha'' e sempre gostei muito deste jornal. Contudo, gostaria de expressar meu profundo desapontamento com essa matéria (08/12/2011 Jovens trocam Brasil pela Rússia a fim de estudar medicina) , que além de mal embasada, é também de mal gosto.
Chamo-me Thales Caue Cesar Augusto Bandeira, tenho 22 anos e sou estudante do segundo ano de medicina da Universidade Estadual Médica de Kursk e faço parte da organização acadêmica dos brasileiros em Kursk, do círculo científico de fisiologia e do círculo científico de cultura russa da universidade (UMEK ou KSMU -Kursk State Medical University).
Para começar, acho um tanto arrogante o vosso texto iniciar com uma tese afirmando que ''O fim da União Soviética alterou radicalmente o perfil dos estudantes brasileiros na Rússia. De militantes comunistas com bolsas estatais, passou para jovens de classe média atraídos pelos baixos valores dos cursos de medicina ministrados em inglês.'' Primeiro porque creio que nem metade do corpo que compõe vosso jornal sabe metade do que realmente foi o comunismo e as alterações reais que ocorreram no país pré e pós comunismo. Segundo, os tais ''militantes comunistas'' que vocês colocam de certa forma aparentemente pejorativa, foram os primeiros doutores e mestres em nosso país nas faculdades federais e estaduais que possibilitaram um grande desenvolvimento na nossa educação, a qual está se perdendo cada vez mais devido à corrupção de nossos governantes que preferem aumentar os próprios ganhos salariais. Terceiro – ‘’[...] jovens de classe média atraídos pelos baixos valores dos cursos de medicina[...]’’? Creio que vós excluís o fato de que boa parte dos jovens que estão aqui vieram pelo fato de buscarem uma educação de qualidade; ou eu que estou excluindo o fato de que vossa prepotência e ignorância histórica e de fatos concretos vai além dos limites aceitáveis.
Mais um equívoco, em vosso texto (para não dizer absurdo): ‘’São, em geral, universidades estatais que hoje dependem da mensalidade de estudantes estrangeiros para se sustentar.’’ Em primeiro lugar, se ela é estadual, ela depende do governo ou do Estado para se sustentar. Daí que vem o termo governamental ou estadual. Segundo, o sistema de universidades russas hoje abre as portas para estudantes pagantes russos, que desejem cursar a faculdade. Contudo, se eles falharem, eles são expulsos do curso e devem ou repetir o ano ou se afastar da universidade. Aos estudantes russos bolsistas, caso falhem, são expulsos da universidade e, caso queiram continuar, devem pagá-la sujeitos as mesmas regras dos russos pagantes. Quanto aos estrangeiros que estudam em inglês, pagam a anualidade para a companhia ‘’transrussia’’, a qual é uma companhia internacional que cuida do ingresso de alunos estrangeiros em algumas faculdades russas. Portanto, as faculdades russas não estão decadentes e não dependem do dinheiro de alunos estrangeiros para se sustentar.
Outro pequeno deslize de vossa soberba; o goiano Luiz Fernando da Silva não chegou a terminar o primeiro semestre e não chegou a morar aqui nem três meses. Quanto ao alojamento, comparado com os alojamentos que temos em nossas universidades brasileiras, é de um nível estrutural e de segurança muito mais alto. E eu realmente gostaria de saber o que seriam esses ‘’problemas estruturais básicos’’, pois o que parece é que até agora vossa matéria que apresenta ‘‘problemas estruturais básicos’’ – Falta de embasamento e falta de conhecimento; o que, penso eu, que para um jornal sério, lê-se como um problema um tanto grave. E, último deslize – ‘’[...] que há casos de corrupção envolvendo professores. "Às vezes, eles mesmos dizem seu preço." Vós tendes alguma prova para publicarem uma notícia deste tipo? Acusar professores e diminuir seu valor ultimamente, na nossa mídia, parece ser algo que virou corriqueiro, infelizmente. Acho que por isso foi autorizado por nossos políticos que qualquer um não instruído pode escrever uma manchete.
Espero que estas informações sejam levadas em consideração. Desculpo-me pelo excesso de minha resposta, mas a vossa manchete soa muito mais como uma opinião individual exposta em um jornal de abrangência internacional do que uma matéria informativa. E, se aqui é a maior comunidade de brasileiros da Rússia, porque foram entrevistados apenas três brasileiros, dentre os quais um não chegou a terminar nem o primeiro semestre do primeiro ano?
Agradeço pela atenção e disposição,
Só não agradeço pela falta de consideração com estudantes e professores,
Atenciosamente,
Thales Caue Cesar Augusto Bandeira.
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Jovens trocam Brasil pela Rússia a fim de estudar medicina
08/12/2011
-
07h22
Jovens trocam Brasil pela Rússia a fim de estudar medicina
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FABIANO MAISONNAVE
ENVIADO ESPECIAL A MOSCOU
O fim da União Soviética alterou radicalmente o perfil dos estudantes
brasileiros na Rússia. De militantes comunistas com bolsas estatais,
passou para jovens de classe média atraídos pelos baixos valores dos
cursos de medicina ministrados em inglês.
O fenômeno é crescente e ocorre principalmente na Universidade Estatal Médica de Kursk (500 km de Moscou) --onde o consulado brasileiro identificou 150 estudantes.
Há ainda brasileiros em Belgorod, na fronteira com a Ucrânia, em Rostov-on-Don e em São Petersburgo, além de Moscou. São, em geral, universidades estatais que hoje dependem da mensalidade de estudantes estrangeiros para se sustentar.
No consulado em Moscou, estão registrados 170 alunos de medicina no país, mas o número é maior, pois muitos não vão à representação.
Em Kursk, o aluno brasileiro paga R$ 3.400 por semestre no curso de medicina e R$ 720 pelo alojamento.
Já em faculdades privadas de medicina de São Paulo e do Rio de Janeiro, cada semestre custa mais de R$ 22 mil. O curso de medicina nos dois países dura seis anos.
Há quase um ano em Kursk, o estudante de medicina Marcelo Ricci, 22, diz que a universidade é bem estruturada e tem professores de alto nível. As aulas são em inglês, mas aprender russo é obrigatório.
"A cidade é bem antiga, temos a impressão de voltar no tempo. Isso incomoda um pouco no início."
Mas há os que abandonam o curso. O goiano Luiz Fernando Silva,19, desistiu de estudar em Kursk por temer dificuldades na validação do diploma no Brasil, um problema recorrente para quem estuda medicina fora.
Neste ano, foram aprovados só 65 dos 677 candidatos inscritos na prova do Ministério da Educação que valida diplomas estrangeiros. Muitos médicos que se formam em outros países esperam anos para se legalizar no Brasil.
Silva disse ainda que o alojamento é "antigo e com constantes reformas e problemas estruturais básicos" e que há casos de corrupção envolvendo professores. "Às vezes, eles mesmos dizem seu preço."
Na capital russa, há brasileiros na Universidade da Amizade dos Povos, que na era soviética recebeu centenas de estudantes do Brasil ligados ao Partido Comunista, como João Prestes, filho do líder histórico de esquerda Luís Carlos Prestes.
Thiago Freire, 20, estuda medicina lá e diz que a universidade vale a pena pela alta qualidade do ensino.
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1018320-jovens-trocam-brasil-pela-russia-a-fim-de-estudar-medicina.shtml
ENVIADO ESPECIAL A MOSCOU
O fenômeno é crescente e ocorre principalmente na Universidade Estatal Médica de Kursk (500 km de Moscou) --onde o consulado brasileiro identificou 150 estudantes.
Há ainda brasileiros em Belgorod, na fronteira com a Ucrânia, em Rostov-on-Don e em São Petersburgo, além de Moscou. São, em geral, universidades estatais que hoje dependem da mensalidade de estudantes estrangeiros para se sustentar.
No consulado em Moscou, estão registrados 170 alunos de medicina no país, mas o número é maior, pois muitos não vão à representação.
Em Kursk, o aluno brasileiro paga R$ 3.400 por semestre no curso de medicina e R$ 720 pelo alojamento.
Já em faculdades privadas de medicina de São Paulo e do Rio de Janeiro, cada semestre custa mais de R$ 22 mil. O curso de medicina nos dois países dura seis anos.
Há quase um ano em Kursk, o estudante de medicina Marcelo Ricci, 22, diz que a universidade é bem estruturada e tem professores de alto nível. As aulas são em inglês, mas aprender russo é obrigatório.
"A cidade é bem antiga, temos a impressão de voltar no tempo. Isso incomoda um pouco no início."
Mas há os que abandonam o curso. O goiano Luiz Fernando Silva,19, desistiu de estudar em Kursk por temer dificuldades na validação do diploma no Brasil, um problema recorrente para quem estuda medicina fora.
Neste ano, foram aprovados só 65 dos 677 candidatos inscritos na prova do Ministério da Educação que valida diplomas estrangeiros. Muitos médicos que se formam em outros países esperam anos para se legalizar no Brasil.
Silva disse ainda que o alojamento é "antigo e com constantes reformas e problemas estruturais básicos" e que há casos de corrupção envolvendo professores. "Às vezes, eles mesmos dizem seu preço."
Na capital russa, há brasileiros na Universidade da Amizade dos Povos, que na era soviética recebeu centenas de estudantes do Brasil ligados ao Partido Comunista, como João Prestes, filho do líder histórico de esquerda Luís Carlos Prestes.
Thiago Freire, 20, estuda medicina lá e diz que a universidade vale a pena pela alta qualidade do ensino.
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1018320-jovens-trocam-brasil-pela-russia-a-fim-de-estudar-medicina.shtml
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Nova lei na Rússia melhora o procedimento de reconhecimento de diplomas de universidades estrangeiras
| Escrito por Alena de Carvalho | |||||||
| Seg, 05 de Dezembro de 2011 12:25 |
A lei federal foi adotada pela Duma em 17 de novembro de 2011 e aprovada pelo Conselho da Federação em 29 de novembro de 2011.
A
lei prevê que os documentos de educação e/ou qualificação oriundos de
países estrangeiros, desde que cobertos por tratado internacional
relevante, bem como documentos educacionais emitidos por instituições de
ensino estrangeiras, listadas pelo Governo da Federação da Rússia,
serão reconhecidos na Federação da Rússia, sem quaisquer procedimentos
adicionais.
Em
outros casos, o reconhecimento de documentos internacionais sobre a
educação e/ou treinamento será realizado pelo órgão de Poder Executivo
Federal responsável pelo controle e supervisão na área da educação, de
acordo com os pedidos dos cidadãos apresentados por escrito ou em um
documento eletrônico.
Para
avaliar o nível de educação e/ou das qualificações, para definir um
nível de equivalência de direitos acadêmicos e/ou profissionais
concedidos ao titular de um documento em educação e/ou qualificação no
Estado que emitiu o documento, e os direitos concedidos por documento
público equivalente de modelo federal em educação e/ou formação na
Federação da Rússia, será realizada perícia.
A
lei federal também define a ordem de reconhecimento de documentos de
países estrangeiros em graus científicos e títulos acadêmicos no
território da Federação da Rússia, supondo uma confirmação formal do
grau ou status acadêmico, a fim de prover ao proprietário deste
documento o acesso à educação ou atividade profissional na Federação da
Rússia. Este procedimento tem basicamente a mesma ordem do
reconhecimento de documentos internacionais sobre a educação e/ou de
qualificação.
O
provimento de informações do processo de reconhecimento dos documentos
supracitados na Federação da Rússia é realizado pelo centro de
informações nacional, cujas funções são realizadas por organização
autorizada pelo Governo da Federação da Rússia.
(Fonte: Kremlin)
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